Cefaleia

Junho: mês internacional de conscientização sobre enxaqueca e cefaleias reforça a importância do cuidado multidisciplinar

HM
Prof. Dr. Hilton Mariano da Silva Júnior
Secretário-Geral — ABCDO
Junho de 2026
8 min de leitura
Junho — Mês de Conscientização
sobre Enxaqueca e Cefaleias

Junho é reconhecido internacionalmente como o Mês de Conscientização sobre a Enxaqueca e as Cefaleias, uma campanha dedicada a ampliar o reconhecimento dessas doenças, combater o estigma associado à dor de cabeça e defender melhor acesso ao diagnóstico, ao tratamento, à pesquisa e ao cuidado contínuo. Para os profissionais de saúde que pesquisam e tratam pacientes com cefaleia, a data representa uma oportunidade estratégica para fortalecer uma abordagem verdadeiramente multidisciplinar.

A dimensão global do problema

As cefaleias estão entre as condições neurológicas mais prevalentes e incapacitantes do mundo. A Organização Mundial da Saúde estima que os transtornos de cefaleia afetem cerca de 40% da população global, o que corresponde a aproximadamente 3,1 bilhões de pessoas. A enxaqueca, em particular, é uma doença neurológica crônica, recorrente e potencialmente incapacitante, frequentemente subdiagnosticada e subtratada.

Esse cenário exige mais do que uma resposta médica isolada. O cuidado adequado ao paciente com cefaleia envolve neurologistas, clínicos, médicos de família, pediatras, ginecologistas, psiquiatras, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, dentistas, profissionais da medicina do sono, pesquisadores, gestores e educadores em saúde. Cada área contribui para o reconhecimento de gatilhos, comorbidades, fatores de cronificação, impacto funcional, riscos terapêuticos e barreiras ao acesso ao cuidado.

Enxaqueca não é só dor de cabeça

Um ponto central da campanha é reforçar que enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça forte. Trata-se de uma doença neurológica com manifestações sensoriais, autonômicas, cognitivas, emocionais e funcionais. Náuseas, fotofobia, fonofobia, osmofobia, alodinia, tontura, fadiga, alterações do sono, sintomas de aura, ansiedade, depressão e prejuízo ocupacional podem fazer parte do quadro clínico. Reduzir a doença à intensidade da dor é um erro que empobrece o diagnóstico e atrasa intervenções eficazes.

O caso da enxaqueca crônica

O Dia de Conscientização sobre a Enxaqueca Crônica, celebrado em 29 de junho, chama a atenção para os pacientes que vivem com dor por grande parte do mês. A enxaqueca crônica é definida como cefaleia em 15 ou mais dias por mês, por mais de três meses, com características migranosas em pelo menos parte desses dias, de acordo com os critérios internacionais da ICHD-3.

O caráter multidisciplinar torna-se ainda mais importante nos pacientes com cefaleia frequente, enxaqueca crônica, cefaleia por uso excessivo de medicamentos, dor cervical associada, distúrbios do sono, transtornos do humor, obesidade, alterações hormonais, disfunções temporomandibulares, vestibulopatias ou dor persistente. Nesses casos, o tratamento farmacológico é importante, mas raramente é suficiente quando utilizado isoladamente.

Um chamado à prática

Para pesquisadores e profissionais envolvidos no cuidado desses pacientes, junho também deve ser visto como um chamado à produção de conhecimento. Ainda há lacunas importantes em epidemiologia local, trajetórias de cronificação, adesão terapêutica, impacto socioeconômico, acesso a tratamentos preventivos, educação do paciente, saúde digital, biomarcadores, comorbidades e modelos integrados de cuidado.

A abordagem contemporânea das cefaleias deve integrar diagnóstico clínico preciso, uso criterioso de exames complementares, identificação de sinais de alerta, tratamento agudo racional, prevenção farmacológica quando indicada, orientação sobre risco de uso excessivo de analgésicos, manejo de comorbidades e intervenções não farmacológicas baseadas em evidências.

Conclusão

Junho deve ser entendido como um mês de mobilização científica, assistencial e educacional. Para quem pesquisa e trata pacientes com cefaleia, a mensagem é direta: a dor de cabeça recorrente precisa sair da invisibilidade, e o cuidado multidisciplinar é uma das principais formas de transformar evidência em alívio real para os pacientes. O desafio é transformar a conscientização em prática — escutar melhor, mensurar a incapacidade, reconhecer comorbidades e elaborar planos terapêuticos individualizados.

Cefaleia Enxaqueca Conscientização Neurologia
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